quinta-feira, 23 de abril de 2009

NÃO CHORES!

E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade (Lc 7:11-17).

O marido desta mulher morrera primeiro e, agora, o seu filho único. Com essa mulher ia uma grande multidão, porem depois do enterro todos iam para suas casas e ela estaria só. Que situação! Jesus olhando viu a tristeza que se alojava dentro do seu coração e moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores.

Quem sabe alguém da multidão que estava acompanhando a viúva, ou até mesmo dos que vieram com o mestre, pôde ter pensado que Jesus era um louco! Não dava para entender o porquê que Ele disse essas palavras, pois aquela pobre mulher tinha motivos de sobra para chorar, o seu único filho estava morto.

A lei natural estava sendo alterada, pois a lei normal é os filhos interarem os pais, mas o que nós vemos nessa passagem é totalmente o contrário.

Segundo a cultura judaica, filho é continuação da história de uma família e também bênção. Para aquela mulher a sua história estava acabada, morta não existia perspectiva de um futuro feliz.

Quando Jesus disse: não chore, Ele sabia o que estava fazendo. O problema é que nós só contemplamos o que está ao nosso alcance (aqui e agora) e aquela mulher estava vendo a dificuldade que seria viver sem marido e sem o seu filho. Mas Jesus já estava vendo o milagre, por isso foi preciso em suas palavras.

As palavras de Jesus não são vazias e lançadas ao ar, pois a Palavra dEle não volta vazia, mas tem uma missão especifica e para que todos entendessem o porque do “não chores” Jesus colocou a mão sobre o esquife e mudou o futuro daquela mulher.

Aonde Cristo coloca as mãos tem milagres. Você lembra: dos 5 pães e dois peixinhos, da orelha de Malco, da filha de Jairo, da sogra de Pedro, do cego do tanque de Siloé. Você lembra? As mãos do Senhor não estão encolhidas, para que não possa salvar.

A tua história ainda não acabou e a tua bênção não está num caixão morta, mas acredite a tua bênção está viva!

segunda-feira, 30 de março de 2009

DOUTRINA BÍBLICA

INTRODUÇÃO: Vivemos uma época em que as pessoas desenvolvem muitos maus costumes, muitos maus hábitos. Para orientar essas pessoas e manter uma boa postura social, a igreja deve pregar doutrina e bons costumes.


1. O QUE É DOUTRINA
É a declaração das crenças mais fundamentais dos cristãos. Aquilo em que cremos e que ensinamos.
É o ensino de Jesus (Mt 7.28; 22.33; 1 Tm 6.3), revelação de Deus ao homem (Jo 7.16,17)
É diferente de apenas conhecimento, pois contém poder, autoridade (Mc 1.22, 27).


2. POR QUE ESTUDAR DOUTRINA
· “A doutrina serve de alicerce para a vida cristã e de motivação para a atividade Cristã”. A nossa salvação, o nosso chamado, a nossa missão, as nossas atitudes como cristãos tudo isto é baseado no estudo das doutrinas bíblicas.
. Para combater os falsos ensinos. Para que os crentes não sejam levados “por todo vento de doutrina” (Ef 4.14).
· Para cumprir a missão da igreja: ensinar (Mt 28.19-20).
· Quando estudamos, aprendemos também a:
1. Desenvolver um senso crítico em relação ao que ouvimos (1Ts 5.21; At 17.10,11);
2. Combater os conceitos destorcidos da verdade, A Palavra de Deus, sejam nossos ou de outros (Tt 1.9);
3. Amadurecer no caráter cristão (Hb 5.11-14).
O estudo da Bíblia faz parte da história do movimento pentecostal. O avivamento pentecostal começou com estudantes da bíblia, em 1901, no Bethel Bible College, em Topeka, Kansas (Jan/1901). E em abril de 1914 foi realizada a primeira reunião de fundação do Concílio Geral das Assembléias de Deus. As razões para este concílio foram:
1. Atingir uma melhor compreensão e unidade de doutrina;
2. Conservar a obra de Deus
3. Cuidar dos fundos missionários
4. Unificar o nome da igreja
5. Formar uma escola de treinamento bíblico com uma divisão literária.

Hoje, a doutrina tem sido negligenciada nos púlpitos, nos livros e nos eventos da igreja.
A doutrina é o que diferencia o crente do idólatra; a igreja da seita.


3. O QUE NÃO É DOUTRINA
Doutrina não é igual a Costume
Doutrina bíblica é um ensino da Bíblia, normativo, terminante, final, derivado das Sagradas Escrituras, como regra de fé em Deus e de prática de nossa vida cristã e de ministério, para a igreja de Deus.
Os costumes são influenciados pela época, local e especialmente pelo clima e por tradições recebidas. O problema é a imposição de costumes para a salvação, sendo dada maior importância a costumes, tradições do que a Palara. Algo pode ser transmitido por tradição sem respaldo biblico, conforme Jesus mostrou: "E assim invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição" (Mt 15.6 - ARA). Existem pessoas que julgam certas determinadas tradições, não as examinam, conforme as Escrituras.
Os judeus, como qualquer povo, possuíam seus usos, costumes e tradições. Quando o Evangelho influenciou muitas vidas, os judeus queriam que as pessoas continuassem observando as cerimônias judaicas; estas eram impostas como condição à salvação. (At 15.1). Ocorre que a lei não dava justificação plena: At 13.39. O problema surge, quando damos maior valor aos costumes do que a palavra de Deus. Outro lado da questão é se os costumes entram em conflito com a palavra de Deus. Quando o evangelho chegou a vários lugares, ele foi o gerador de novos costumes.
Em relação aos costumes qual deve ser a atitude do cristão: A Bíblia responde: "Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos nem à igreja de Deus" (1 Co 10.32). Quando uma pessoa recebe Cristo, é necessário que ela rompa com os ensinos que ele recebeu por tradição, se forem contrários aos princípios bíblicos. Paulo soube romper com a tradição, quando esta era conflitante com a Palavra de Deus. Os bons costumes devem ser para somar com a doutrina bíblica, a ética cristã e a moral evangélica. Há costumes bons e maus. A doutrina bíblica gera bons costumes, mas bons costumes não geram doutrina bíblica.
a) A doutrina é de origem divina, o costume é de origem humana.
b) A doutrina é imutável, o costume muda.
c) A doutrina é universal, o costume é local.
e) A doutrina é um princípio, o costume é um preceito.
f) A doutrina é verdade absoluta, o costume é uma verdade relativa.

A doutrina não é baseada na experiência humana, mas na revelação divina, apresentada na Bíblia. Cristãos experimentam mudança como resultado de acreditar na verdade sobre Jesus Cristo. A experiência é baseada na doutrina e não o contrário.

Palavras gregas usadas para doutrina: didache, didaskalia = ensino, instrução.


4.COMO DEVEMOS ESTUDAR DOUTRINA
1. Com oração, pedindo a Deus que abra os nossos olhos para podermos ver as maravilhas de sua lei (1 Co 2.14; Sl 119.18).
2. Com humildade. (1 Pe 5.5). Para evitar o orgulho, devemos associar o conhecimento ao amor (1 Co 8.1).
3. Com a razão. A fé não está desassociada da razão (1 Pe 3.15).
4. Com a ajuda de outros. Deus estabeleceu mestres na igreja (1 Co 12.28). Isso significa que devemos ler livros escritos por teólogos preparados. Conversar com outros cristãos sobre teologia é também uma excelente maneira de conhecer mais sobre Deus.
5. Com zelo. O estudo precisa ser aplicado, dedicado, para ultrapassar a superficialidade e alcançar maior profundidade do conhecimento da Palavra. (2 Tm 2.15).


OBRAS CONSULTADAS:
ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.

SILVA, Antonio Gilberto da. Manual de Escola Dominical, Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

RYRIE, Charles. Como Pregar Doutrinas Bíblicas. São Paulo: Mundo Cristão.

MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD.

segunda-feira, 9 de março de 2009

AS BODAS EM CANÁ

E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram também “convidados Jesus e os seus discípulos” (Jo 2:1,2). Sabemos que sempre é assim em festa de casamento, convidamos duzentas pessoas e aparecem seiscentas. Casamento em Israel era uma celebração que duravam dias, pois significava o enlace de duas famílias. Vinha gente de todo o lugar. Era uma festança! Logo faltou o vinho na festa e a mãe de Jesus ficou preocupada. O esposo deve ter se envergonhado ao receber a notícia do mestre-sala que o vinho teria acabado. A tristeza estava querendo ganhar espaço, só que ela se esqueceu que estava ali de penetra, pois não tinha sido convidada, mas Jesus foi convidado (v. 2) e sendo assim, não haveria lugar para tristeza. Festa e tristeza não combinam, mas Jesus combina com festa. Aliás, ele disse que veio para que a nossa vida fosse uma festa (Jo 7:38), e é uma festa maravilhosa porque não depende do que acontece do lado de fora, mas do lado de dentro da gente. A marca da nossa vida cristã é essa alegria da salvação.

Eu aprendo muito quando leio essa passagem do capitulo 2 do evangelho segundo escreveu João, pois vejo algo maravilhoso no versículo 3 quando a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Às vezes o vinho acaba. Vinho simboliza “alegria” e muita vezes a alegria acaba no casamento, no trabalho, na família e na alma e sobra somente água que é algo que não tem cor e nem gosto.

Existem muitas pessoas vivendo uma vida sem cor e sem sabor porque o vinho acabou quando menos se esperava.

A alegria pode ir embora por motivos diversos: pecado, sofrimento, decepção e etc. Não importa o motivo, a única forma de vê-la restaurada em nossas vidas é procurar Jesus, só Ele pode reverter o quadro.

É preciso abrir o coração. Não importa se a culpa pela tristeza é ou não sua.

Quando a tristeza chegou na vida de Adão ele se escondeu. Ao invés de imitarmos a Adão, que fugiu, temos um exemplo melhor para imitar o de Maria, que foi procurar a Jesus no momento em que o vinho acabou. No versículo 4 Jesus diz: Mulher que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

Não devemos nos assustar com a forma que Jesus respondeu a sua mãe, na cultura em que eles viviam não era falta de educação usar essas palavras que Jesus disse a Maria.

Maria sabia que Jesus ia fazer algo, tanto é que ela falou aos empregados para fazer tudo o que Ele mandasse (v. 5), ela conhecia Jesus e com certeza conhecia também aquele coração inundado de amor e compaixão pelos necessitados.
Em outras palavras ela estava dizendo fiquem perto dele, não tirem os olhos dele, pois a qualquer momento ele vai mudar a situação.Naquela festa havia muitos necessitados de um milagre de Jesus.


Os discípulos: Até aquele dia eles nunca tinham visto os milagres que Jesus era capaz de operar, pois eles foram atraídos pelo poder maravilhoso das palavras de Jesus que eram curtas, precisas, terríveis e cheias de refrigério, porém os seus olhos necessitavam contemplar os milagres.


Os empregados: Esses até então não estavam entendendo o porque que deveriam fazer tudo quanto ele mandasse, creio também que não entenderam o porque de carregar as talhas de água até o mestre-sala sendo que o necessário ali seria o vinho. Eles necessitavam de um esclarecimento.


O mestre-sala: Ele necessitava entender o que aconteceu, pois pensava que tudo aquilo era uma estratégia do noivo.


O noivo: Coisa triste é você fazer planos e se esforçar por eles e ver tudo indo por água abaixo. Jesus não gosta de envergonhar ninguém e muito menos deixar na mão nas horas mais difícil. O noivo não esperava um milagre, mas Jesus opera na hora certa para que todos entendam que ele é o Cristo.


Jesus lhes disse: Enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente (v. 7). Eu entendo que para que aconteça um milagre em nossas vidas é necessário obedecer. Eu vejo em algumas passagens da Bíblia a parte divina somando com a parte humana.

As muralhas de Jericó (Js 6.20), a parte humana foi rodear a cidade, tocar as trombetas e gritar, a parte divina foi as muralhas caírem por terra.
A ressurreição de Lázaro (Jo 11.39-43), a parte humana foi tirar a pedra, a divina foi à ressurreição de Lázaro.

O milagre em nossas vidas é conseqüência da obediência ao Senhor.

Esse foi o primeiro milagre de Jesus (v. 11), e posso até dar um nome a esse milagre: “O milagre da transformação”.

Até hoje Ele continua transformando situações e pessoas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A MELHOR DECISÃO

A vida é feita de decisões que determinam sucesso ou fracasso, ganho ou perda, vitória ou derrota, enriquecimento ou empobrecimento, quer material, intelectual ou espiritual.
Durante nossa existência abrimos muitas vezes mão de muitas coisas principalmente em época de crise financeira de recessão e desemprego. Contudo podemos abrir mão de muita coisa, só não podemos é abrir mão das Bênçãos de Deus, pois o principal nesta vida é a Bênção de Deus. Existem pessoas que estão indo de mal a pior mesmo tendo bens, fazendas, carros importados e etc. Tudo isso sem a bênção de Deus torna-se em maldição, perturbação e dores.
O sábio Salomão dominado pela sabedoria divina escreveu: “A bênção do Senhor é que enriquece; e não traz consigo dores”. (Pv 10.22).
Josué (ou Joshua, do hebraico, Yeho shua ou Ye shua, significa "YHVH Salva" ou "YHVH é Salvação", Iesous na transliteração para o grego, e na forma latina, Jesus), de acordo com a Bíblia, é o nome do líder de Israel, sucessor do profeta Moisés. Filho de Num, da Tribo de Efraim, Josué foi ajudante de Moisés durante o êxodo dos israelitas do Egito e os 40 anos pelo deserto do Sinai. Depois da morte de Moisés, Josué liderou o povo de Israel na conquista das cidades da terra de Canaã. Sua liderança é narrada no livro que toma o seu nome, no qual pode-se destacar a tomada da cidade de Jericó entre os demais feitos ali relatados que também contaram com a intervenção divina seguidos muitas vezes de prodígios, como no relato em que o sol e a lua chegaram a parar durante a batalha.
No capitulo 24 Josué recorda tudo que Deus tinha feito e leva o povo a tomar a decisão de renovar a aliança com Deus.
“Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.(V.15).
“Disse então o povo a Josué: Não! Antes serviremos ao Senhor”.(V. 21).
Aquele povo era de batalha, valentes, destemidos, mas as vitórias só eram alcançadas quando eles decidiam largar os deuses estranhos que têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta.
Não adianta saber lutar e não ter as armas certas, ter força e não saber usa-la, está na batalha e não ser vencedor. Os vencedores são aqueles que tem consigo as bênçãos do Deus de Abrão, Isaque e Jacó.
Lembre-se: A vida é feita de decisões. Decida servir a Deus Hoje! E a bênção do Senhor fará a diferença estando você no deserto ou no manancial, no campo ou na cidade, no cárcere ou no palácio. A diferença não está em quanto você ganha, nem onde você está, mas sim com quem você está. Decida-se está com o Senhor Jesus. Pedro só teve uma pesca maravilhosa quando Jesus entrou dentro do seu barco. Pedro tinha o barco, mas lhe faltava a bênção, mas ele decidiu colocar a bênção dentro do seu barco.
Jairo tinha uma casa, mas dentro da casa desse chefe da sinagoga tinha muito desespero, aflição, choro e morte, mas quando ele decidiu abrir a porta para Jesus sua casa foi abençoada.
Abra a porta para Jesus, pois essa é a melhor decisão que você pode tomar hoje!

HOJE OU AMANHÃ?

Quando lemos esta passagem que fala sobre A PRAGA DAS RÃS (Ex 8. 1-15) a impressão que nos dá é que faraó na realidade não estava tão preocupado assim. Quando Moisés foi chamado por faraó, Moisés lhe perguntou: "...quando é que hei de rogar por tí, pelos teus oficiais e pelo teu povo, para que as rãs sejam retiradas..." (v9). Mas o absurdo aconteceu: Faraó um líder, um homem de guerra experimentado, acostumado a livrar-se de problemas sabiamente, deu com certeza a resposta mais insensata de sua vida.....”Ele respondeu: Amanhã. Moisés disse: Seja conforme a tua palavra..." (v. 10). Faraó, com toda a sua riqueza, com toda a sua glória e intelectualidade decidiu ter rãs por mais um dia, resolveu ficar na lama por mais um tempo, imagine durante alguns dias as rãs invadindo por sobre as camas, a cozinha, as panelas, o fogão, o berço da criança, etc....Não tem sido assim, através da história da humanidade? Quantas pessoas completamente cientes do buraco em que se encontram, completamente capazes de perceber que não tem mais saída, resolvem, ainda assim, por mais algum tempo, DEIXAR PARA AMANHÃ.
Josué, jovem, ainda sem muitos conhecimentos, disposto a aprender com as gerações que o antecedram, estava sendo dirigido pelo Espírito de Deus, e atendeu imediatamente ao chamado de Moisés.

A oração do homem de coragem deve ser assim, como era a de um outro grande líder: Neemias, um homem que através de sua ousadia e intrepidez no Espírito diante de Deus, mudou o rumo de uma nação. Neemias sabia da situação do seu povo e confessava: “Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juizos que ordenaste a Moisés, teu servo..." (Ne. 1:7).
Quando Neemias orou a Deus, quando ele quis receber ajuda de verdade, não pediu que Deus resolvesse o seu caso amanhã, ou depois: “Ah Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos a oração do teu servo e a dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem sucedido HOJE o teu servo e dá-lhe merce perante este homem....” (Ne. 1:11). Neemias foi um homem de coragem, um homem decidido, um homem simples, um homem que buscava o caráter de Deus.
Ouve-se sempre, ou le-se , a respeito de Moisés, de Josué, de Caleb, de Neemias e mesmo assim, as pessoas não saem do lugar. O ponto de partida serve apenas para alertar. “É apenas o ínicio”, tem-se agora é que prosseguir! O grande problema do corpo de Cristo, na Igreja, é que os cristãos, em sua maioria, aceitam a Jesus e acomodam-se: nunca saem do ponto de partida e consequentemente, não entram na corrida. Entrar na corrida não é se ocupar de tudo o que vier a mão para fazer, mas buscar, em primeiro lugar, a orientação do Espírito Santo de Deus. “... HOJE, SE OUVIRDES A SUA VOZ, NÃO ENDUREÇAIS O VOSSO CORAÇÃO...” (Hb. 3:15).
Não deixe para AMANHÃ O que Deus quer fazer em tí e para tí, HOJE ! A característica de um cristão verdadeiro É QUE ELE TEM UM CARÁTER DE VENCEDOR !

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

CONTEXTUALIZAÇÃO DO SALMO 126

O estudo, ora apresentado é sobre o Salmo 126 registrado na galeria dos salmos dos degraus. Este salmo é um louvor a Deus pela restauração e retirada do cativeiro, pois é um salmo pós-exílio. O povo estava experimentando a tão sonhada libertação, depois do cativeiro na Babilônia.

Contextualização
O Salmo 126 é um salmo pós-exílio, ele foi escrito após o cativeiro babilônico. Esse Salmo, que está contido nos cânticos cantados durante a peregrinação a Jerusalém (das subidas, dos degraus, de ascensão, entre outros subtítulos que aparecem na seção dos salmos 120-134), traz em si a síntese do passado e do futuro. Ele fazia parte da história do povo de Deus, a temática e a importância desse salmo na história do povo de Deus é que toda a síntese desse salmo vem refletir o sofrimento, as dores, as decepções, as provações que o povo de Deus na sua história de vida vivenciou, mas esse salmo também retrata o triunfo, a conquista, o cumprimento das promessas de Deus, a fidelidade para com o seu povo.
“Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres”. Nosso louvor e nossa alegria são motivados pelas grandes obras de Deus realizadas em nosso favor. Israel, o povo de Deus, confessou com alegria estas palavras. Pois o Senhor, por seu poder e misericórdia, fez grandes coisas por eles. Toda a história de Israel no AT mostra-nos os grandes atos de salvação realizados por Deus em favor do seu povo (êxodo, deserto, Canaã). Deus sempre foi fiel e bondoso para Israel. Mas Israel, por muitas vezes, respondeu ao Senhor com ingratidão e rebeldia. E o Senhor sendo justo, castigou o seu povo várias vezes por suas transgressões. Um dos castigos que Deus deu ao seu povo foi o cativeiro sob um povo estranho (Dt. 28.49,64). Dois principais cativeiros ocorreram na vida do povo de Deus por causa dos seus pecados: cativeiro assírio (722 a.C.) e babilônico (586 a.C.).
O Senhor castigava o seu povo a fim de levá-lo ao arrependimento e restaurar a comunhão com ele. No castigo, o Senhor lembrava-se da sua misericórdia. Ele agiu em favor do seu povo restaurando-lhe a sorte: derrotou os babilônios e libertou o seu povo do cativeiro (539 a.C.). Um homem chamado Ciro foi o instrumento usado por Deus para libertar o seu povo (Is. 44.28; 45.1-7). O povo de Deus voltou para Jerusalém e restaurou a cidade e o templo do Senhor que antes foram destruídos por causa do cativeiro.
O Salmo 126 se encaixa dentro desse contexto histórico. Os salmos expressam as emoções dos salmistas em relação a Deus e estão ligados a uma situação histórica. Quando o salmista confessa que o Senhor restaurou a sorte do seu povo ele está se referindo à libertação do povo do cativeiro babilônico e o seu retorno à Jerusalém. Não foi somente um retorno físico, mas um retorno espiritual (Deus presente no meio do seu povo a fim de ser adorado no templo em Jerusalém que representava presença de Deus). Esse salmo era cantado pelo povo quando subia o monte Sião a fim de adorar o Senhor no templo.O salmista que escreveu o salmo 126, reconhece com alegria a graça e a fidelidade de Deus para com seu povo (v. 1-3 ).
As nações testemunharam as obras de Deus em favor do seu povo (v. 2 b). O grande amor de Deus para com seu povo era visível a todos bem como a sua ira. No castigo, Israel era zombado e escarnecido pelas nações pagãs inimigas do povo de Deus. Mas o testemunho das nações no salmo 126 é sobre a misericórdia de Deus para com seu povo.
O que ocorre na vida de um povo que é abençoado por Deus? Este povo só pode ser um povo grato e cheio de alegria. Vejam a situação de Judá. Antes, sob o domínio de um povo pagão no cativeiro, não tinham alegria, mas tristeza. Poderiam encontrar alegria na Babilônia? Entoar um hino de louvor ao Senhor numa terra estranha como escravos? Salmo 137:1-4 expressa a tristeza dos exilados.
Nos versículos 5-6 o salmista na regência da vontade divina, banhado pela inspiração do Espírito ele resume toda a história desse povo com uma linguagem totalmente agrícola para expressar as agonias, o sofrimento, mas também a conquista, os frutos que eles colheram. O final do Salmo recupera uma idéia generalizada na antiguidade, de que o processo de semeadura era difícil e, por isso, triste. Semear dá trabalho. Enquanto se semeia, os pés e mãos se ferem, o corpo se cansa, o sol castiga.
Em algumas mitologias antigas, a idéia de morte está presente na semente sepultada sob a terra. Semear é um tempo de dor. Mas a visão dos campos floridos, dos frutos amadurecidos compensa tudo. A lágrima não foi desperdiçada: ela regou a colheita. A restauração tem frutos como resultado. Ela é sempre um processo frutífero, por mais dolorido que seja. Por isso, é possível ver sorrisos onde antes havia lágrimas.É isso que vemos no contexto do salmo 126, um quadro totalmente diferente: a tristeza deu lugar à alegria. Agora poderiam tocar suas harpas e cantar salmos de louvor ao Senhor em Jerusalém, pois o Senhor lhes restaurou a sorte, fez grandes coisas por eles.

Conclusão:
O Salmo 126 nos mostra varias lições e ao mesmo tempo nos convida a redescobrir o sonho e a vivê-lo nas pequenas e grandes restaurações que Deus faz em nossa vida. A restauração tem frutos como resultado. Ela é sempre um processo frutífero, por mais dolorido que seja. É sempre fonte de alegria, de regozijo e de esperança.
Podemos nos lembrar todos os dias das restaurações que Deus tem operado em nossas vidas, assim como o povo poderia se lembrar de inimigos que se levantaram contra eles ao longo dos séculos: egípcios, assírios, filisteus, cananeus em geral, babilônios. Não faltaram oposições nem opressões ou exílios. Entretanto, a todo o tempo, Deus proveu livramento, consolo, milagres, sinais e a possibilidade de recomeçar, reconstruir e renovar a vida e a esperança. Por isso, o sofrimento ou dificuldade presente é sempre uma condição tanto de memória quanto de esperança. Sabemos o que Deus fez e cremos no que ele fará.
Mas infelizmente em nosso mundo hoje, temos perdido a capacidade e a dimensão do sonho. Vemos isso nas coisas mais simples do cotidiano. Observe apenas os jovens à sua volta: como tem sido difícil para eles sonhar! Antigamente, sempre havia facilidade em dizer o que a gente queria ser quando crescesse, pois eu falei isso varias vezes (sonhei). Mesmo que fosse impossível, o sonho existia. Hoje, infelizmente, quando se faz essa pergunta a um jovem pré-universitário, não é raro receber a triste resposta: “Ainda não sei”.

Fonte:
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia do Obreiro. CPAD, 2005.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A BONDADE DE DEUS

Leitura: Sl 34.1-8
Bondade é ser benevolente, amável e ela é exercida em favor dos outros. Esta bondade pode se definir como “aquela perfeição de Deus que o mantém solícito para tratar generosa e ternamente todas as suas criaturas”.
Quando Deus criou a terra e os céus, viu que tudo era bom (Gn 1.10,12,18,21,25,31). Tudo o que Deus faz é bom; tudo o que Ele aprova pode ser considerado bom.
Deus não é somente o maior dos seres, mas o melhor. Deus é originalmente bom em si mesmo. As criaturas podem ser boas, mas a sua bondade é comunicada, não essencial. Em Deus a bondade é parte da sua natureza. Não há Deus sem esse atributo. Ele é bom essencialmente. Deus não depende de ninguém para ter bondade. Ele a tem em si mesmo. Sua bondade não é derivada, é própria. A bondade que os homens possuem lhes é comunicada, mas em Deus a bondade é essencialmente infinita. A sua bondade não muda, mesmo que os homens mudem de atitude para com ele. Como Deus é imutável na sua natureza, assim ele o é nos seus atributos. Deus não muda de atitude para conosco em sua bondade, a menos que a manifestação de qualquer de suas bênçãos seja condicional à obediência dos seus filhos. Mas, mesmo quando seus filhos o desobedecem, a sua atitude de repreensão é cheia de bondade. Deus não se mostra em ira com seus filhos. Na hora de ira, ele se lembra da sua bondade (Hc 3.2).
Tudo o que é bom vem de Deus (Tg 1.17). Ele é a fonte de todo o bem.
Deus é bom para todos (Sl 145.9). Dá a vida, a respiração, a chuva, etc (At 17.25; Mt 5.45; 1 Tm 6.17).
Até o homem pecaminoso, não regenerado, recebe as bênçãos da bondade de Deus. O interesse bondoso de Deus se revela no cuidado para o bem das suas criaturas. Naturalmente, a manifestação de sua bondade tem uma variação de grau de acordo com a capacidade das criaturas em receber essa bondade. Ainda que os crentes não sejam os únicos a receber a bondade de Deus, eles são os únicos a reconhecer e a manifestar uma apreciação adequada das suas bênçãos sendo agradecidos por elas, servindo ao Senhor, o que resulta em mais bênçãos ainda.
Deus é bom (Sl 34.8; 100;5 145.9; Zc 9.17), misericordioso (Ex 34.6; Ne 9.31; Sl 103.8) e gracioso (Fp 1.2; Cl 1.6; 2 Ts 2.16). Jesus declarou que só Deus é bom (Mt 19.17).
A bondade de Deus é notória na variedade de prazeres naturais providenciados para o deleite das Suas criaturas – cores, perfumes, sabores - “porque a terra está cheia da bondade do Senhor” (Sl 33.5).

Expressões da bondade de Deus: graça e misericórdia (Ex 33.19; Sl 23.6).
A Graça de Deus
Graça: favor imerecido. Deus nos dá o que não merecemos (Rm 11.6; Hb 4.16). Graça é um ato de amor para com o necessitado. Deus ama ao Seu Filho unigênito. Mas não existe o elemento graça nesse amor. Ninguém pode dizer que Deus trata Seu Filho com graça.
Deus também ama os anjos, mas isso tampouco pode ser considerado como graça. Por que não é graça o amor do Pai para com o Filho e o amor de Deus para com os anjos? A razão é que não há perdas ou faltas envolvidas. Há somente amor; não existe a idéia de graça. Somente quando há perdas e faltas, quando não existe maneira para resolvermos nossos problemas por nós mesmos, é que o amor torna-se real como graça. Visto que somos pecadores, somos os que têm problemas, e não temos como solucioná-los. Mas Deus é amor e Seu amor é manifestado a nós como graça.
Portanto, quando o amor flui no mesmo nível, ele é simplesmente amor. Mas quando ele flui para baixo, é graça. Paulo saudou a igreja em Corinto: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13.13). O amor de Deus tornou-se graça por meio da obra do Senhor Jesus. Portanto, a Bíblia diz-nos que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça veio por meio de Jesus Cristo (Jo 1.17).

A Misericórdia de Deus
Misericórdia: benignidade manifesta aos que estão em aflição. Deus dá menos do que merecemos (Is 60.10; Hb 3.2). A misericórdia sempre pressupõe culpa. A criação toda foi afetada pela queda e está em estado de miséria e pecado, carente da misericórdia divina (Sl 145.8-9)
Deus é eternamente misericordioso, mas a manifestação da sua misericórdia só se entende após o aparecimento do pecado na queda. Há a misericórdia especial e esta diz respeito aos seres humanos caídos. Deus os ajuda e os socorre no meio de suas misérias por causa dos seus pecados.
Podemos definir misericórdia como ‘a bondade de Deus ou amor de Deus para com os que se encontram em miséria e angústia espirituais, sem levar em conta o fato de que eles a merecem. Olhando de um outro prisma poderíamos dizer que misericórdia é o fato de Deus deixar de nos dar aquilo que nós merecíamos receber (Lm 3.22)
O que justamente merecíamos Deus não nos dá, isto é, a punição. Quando dizemos que Deus é misericordioso, estamos dizendo que ele não nos trata segundo os nossos pecados. Ao contrário, ele nos perdoa, não colocando sobre nós a penalidade de nossas transgressões.
Misericórdia é para questões negativas, enquanto graça é para questões positivas. Misericórdia está relacionada com a condição presente, e graça está relacionada com a condição futura. Misericórdia fala da pobreza da nossa condição presente, e graça fala da condição radiante em que você será salvo no futuro.
O sentimento que Deus tem para conosco quando somos pecadores é misericórdia. A obra que Deus realiza em nós para fazer-nos Seus filhos é graça. Não ouso pedir a Deus que me ame nem ouso pedir-Lhe que mostre graça. Mas posso pedir misericórdia a Deus.
Efésios 2.4-5 diz: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos”. Paulo disse que Deus era rico em misericórdia por causa de algo. Esse algo é Seu grande amor com que nos amou. Sem amor não haveria misericórdia. Em que situação foi Ele misericordioso para conosco? Ele foi misericordioso para conosco quando estávamos mortos em nossos delitos. Aquilo teve a ver com nossa infeliz situação presente. Por estarmos mortos em pecados, Ele teve misericórdia de nós. Ele teve misericórdia de nós baseado em Seu amor por nós. Que acontece após a misericórdia? O versículo 8 prossegue dizendo-nos que Ele nos salvou pela graça. Portanto, a misericórdia foi-nos mostrada porque estávamos em uma situação de mortos em nossos delitos; então, a graça foi-nos dada para nossa salvação, indicando que recebemos uma nova posição e entramos numa nova esfera. Agradecemos a Deus porque não há somente amor e graça, mas também grandiosa misericórdia.
Em 1 Timóteo 1.13 Paulo diz: “A mim que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade”. Paulo explica aqui como obteve misericórdia. O fato de obter misericórdia tinha muito a ver com a história de sua vida.
Tito 3.5 diz: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou”. Não há justiça em nós. Enquanto estávamos sem justiça e numa situação de sofrimento e sem esperança, Deus teve misericórdia de nós. Graças ao Senhor que existe a misericórdia! Vimos anteriormente que a misericórdia origina-se no amor e termina na graça. Quando a misericórdia se estende, somos salvos. Ele teve misericórdia de nós na condição em que estávamos, e como resultado fomos salvos.
Romanos 11.32 diz: “Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos”. Por que Deus encerrou a todos na desobediência? Foi para que pudesse mostrar misericórdia a todos. Deus permitiu que todos se tornassem desobedientes e encerrou a todos na desobediência, não com o propósito de fazê-los desobedientes, mas a fim de mostrar misericórdia para com todos. Após ter mostrado misericórdia, Seu próximo passo foi salvá-los.
Existe um lugar na Bíblia que nos mostra claramente que nossa regeneração é proveniente da misericórdia. A Primeira Epístola de Pedro 1.3 diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Toda a obra de Deus na graça foi planejada de acordo com Sua misericórdia em amor. Sua graça é dirigida por Sua misericórdia, e Sua misericórdia é dirigida por Seu amor. É segundo a Sua grande misericórdia que Deus nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Assim sendo, tanto a regeneração como a viva esperança estão relacionadas com a misericórdia. Por existir a misericórdia, existe a graça. Hebreus 4.16 exorta-nos a vir constantemente ao Senhor a fim de orar. Ao virmos orar diante do Senhor, recebemos misericórdia e achamos graça para socorro em ocasião oportuna.

A Paciência ou longanimidade
Há um sentido em que Deus é misericordioso com todos, pelo menos temporariamente. Por algum tempo Deus suporta os seus pecados e não os trata conforme eles merecem. Por esta razão, eles conseguem ter uma vida até suportável, a despeito de todas as suas ofensas ou indiferença para com Deus. Alguns teólogos chamam de paciência ou longanimidade divina (Ex 34.6; Nm 14.18; Sl 86.15; 103.8; 145.8; Jn 4.2; Na 1.3).
Na sua longanimidade, Deus espera e leva os homens ao arrependimento (Rm 2.4; 3.25; 9.22). Ele é tão bondoso para conosco que nos suporta e não desiste de nós, mesmo quando reiteradas vezes lhe desagradamos. Há, porém, um limite para isto.

Que Deus continuamente te abençoe.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE

O PAGANISMO NA IGREJA
Nos primórdios do cristianismo as igrejas eram independentes e administradas sob a supervisão de um Bispo em cada região metropolitana. Os bispos eram perseguidos, encarcerados, maltratados e agredidos. Aqueles que haviam sido torturados, ostentavam grandes cicatrizes. Alguns estavam caolhos, aleijados e doentes. Apesar disso, não negaram a fé em Jesus e a Igreja prosperava a cada dia. Para ser cristão, nesse período, era necessário uma experiência pessoal e genuína com Cristo, do contrário, não seria possível suportar a perseguição.

Ao perceber o avanço do cristianismo, o império aliou-se a nova religião. Em 313 d.C. o tetrarca ocidental Constantino I, o grande , e Licínio, o tetrarca Oriental, promulgaram o édito de Milão, também referenciado como: édito da Tolerância, declarando liberdade de culto aos cristãos e dando fim a perseguição religiosa.

Tempos depois em 324 d.C, Licínio é assassinado e Constantino I passa a ser o único Imperador. Para manter a Igreja sobre controle, o Imperador converte-se ao cristianismo. No final de maio de 325 d. C, ele convoca um concílio ecumênico em Nicéia, e ao total, reuniram-se trezentos e dezoito bispos. O concílio durou dois meses e declarou o bispo de Alexandria como, patriarca dos bispos das regiões da África do Norte e arredores e o bispo de Roma, o legítimo líder emérito dos bispos do Ocidente.

A partir desta data, para ocupar o Bispado precisava-se do aval do Imperador. E, agora que a perseguição tinha cessado, para ser cristão não era mais obrigatório a experiência pessoal e a conversão genuína.

O golpe total sobre a Igreja veio em 380/381 quando o Imperador Teodósio promulga o Édito de Tessalônica declarando o cristianismo religião oficial do Imperador, trazendo para dentro da Igreja multidões de pessoas não convertidas que, para se tornarem agradáveis ao Imperador, faziam-se cristãos nominais, sem experimentarem a genuína conversão, introduzindo na Igreja heresias e práticas do paganismo reinante.

Dentre as heresias pode-se destacar no ano 400 d. C, o culto à virgem e aos santos, o fato de Maria passar a ser chamada Theotokos – mãe de Deus, a invenção da oração aos mortos e o sinal da cruz. Em 440 d. C, Leão Magno (Leão I) – Bispo de Roma, declara que o episcopado romano é a autoridade suprema da Igreja no mundo. Um constrangimento que o catolicismo mantém a sete chaves são os onze anos de pontificado da papisa Joana que teve inicio em 741 d. C.

CISÕES E CORRUPÇÕES NA IGREJA
Com a entrada do paganismo, os interesses particulares passaram a sobrepujar a doutrina cristã. A indicação para o papado era feita mediante suborno e muita corrupção; por exemplo, após a morte do papa Cônon (687 d. C), Pascoal subornou o arcebispo de Ravena, no intuito de também ser reconhecido como papa legítimo. Em Roma, tinham sido eleitos, nesse ínterim, Teodoro e também Sérgio I. como Pascoal não pagasse a quantia acertada a Ravena, o arcebispo de lá se decidiu em favor de Sérgio I. Teodoro submeteu-se a decisão e Pascoal foi parar no cárcere.

No inicio do segundo milênio da Era Cristã, tanto a igreja católica ocidental, liderada por Roma, como a ala oriental, liderada por Constantinopla, já haviam incorporado em suas práticas e liturgias vários pontos que seriam questionados pela Reforma. Assim, no ano de 1054, uma bula papal de excomunhão do Patriarca Oriental dói depositada no altar de Santa Sofia, em Constantinopla. Houve retaliação por parte do patriarca de Constantinopla e o Cisma estava configurado. A partir daí a história se divide e passamos a acompanhar muito mais a história da igreja romana, do que Ada igreja Grega Ortodoxa e de suas variações e ramos (Russa Ortodoxa, Marinitas, etc.).

Um outro Cisma no Catolicismo durou 40 anos (1377-1417). Nesse período houve simultaneamente dois papas, um em Avignon, na França e o outro em Roma. Os cardeais dos dois partidos pensaram em resolver a situação através da convocação de um Concílio em Pisa (1409). Os dois papas existentes são depostos e é designado um novo, Alexandre V. A cristandade tem agora três papas, já que Bento XIII e Gregório XII se recusam a abdicar. O imperador Sigismundo impõe então a João XXIII, sucessor de Alexandre V, a convocação de um novo Concílio em Constância (1414).

Durante o Concílio de Constança, 3 papas estiveram lá, toda a manhã, amaldiçoando-se uns aos outros e chamando seus oponentes de anticristos, demônios, adúlteros, sodomitas, inimigos de Deus e dos homens. Um deste papas, João XXIII (1410-1415) foi acusado por 37 testemunhas (na maioria bispos e padres) de fornicação, adultério, incesto, sodomia, roubo e assassinato. Foi provado, por uma legião de testemunhas, que ele havia seduzido e violado mais de 300 freiras. Seu próprio secretário, Niem, disse que ele havia em Boulogne montado um harém, onde não menos de 200 meninas tinham sido vítimas de sua lubricidade. Um registro no Vaticano oferece esta informação: Sua santidade, o papa João XXIII, cometeu perversidade com a esposa do seu irmão, incesto com santas feiras, relações sexuais com virgens, adultério com as casadas, e todos os tipos de crimes sexuais totalmente devotado ao sono e outros desejos carnais, totalmente adversos á vida e ensino de Cristo, ele era chamado publicamente de o diabo encarnado.

Para aumentar sua fortuna, João XXIII cobrou impostos sobre quase tudo – incluindo prostituição, o jogo e a usura. Ele tem sido chamado de o mais depravado criminoso que já sentou no trono papal.

Os cismas e as imoralidades, acima relatadas, fragilizaram, gravemente a autoridade pontifica, acendendo duras críticas à igreja. Deste modo, começaram a surgir movimentos reformistas que pregavam uma vida cristã mais coerente com o Evangelho. Destes movimentos podem-se destacar: os valdenses, no século XII, conhecidos como os pobres de Lyon ou os pobres de Cristo – que questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses – que defenderam nos séculos XII e XIII um ascetismo exacerbado e os Petrobrussianos – que rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres.

PRINCIPAIS PRECURSORES DA REFORMA
John Wycliff - Um dos grandes precursores da Reforma foi John Wycliff. Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329. foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês, considerado precursor das reformas religiosas que sacudiram a Europa nos séculos XV e XVI, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da corrupção.

As obras mais proeminentes foram: A Verdade das Sagradas Escrituras, O Poder do Papa, Apostasia e Eucaristia. Convicto de que a Bíblia é a lei de Deus, resolveu dá-la ao povo na sua própria língua. Entre 1382 e 1384 as Escrituras foram traduzidas da Vulgata Latina para o Inglês. O arcebispo de Cantuária reuniu um sínodo em Londres que condenou 24 teses de Wycliff. Ele não mais lecionou em Oxford e seus sacerdotes pobres foram presos. Pessoalmente, Wycliff não foi atacado, em virtude do forte apoio popular e da corte de que ainda gozava.

Morreu, no exercício de seu pastorado em Lutterworth, no ultimo dia do ano de 1384 tinha vivido 55 anos. Trinta anos após sua morte o Concílio de Constança (1414-1415) o condenou como “o pestilento canalha de abominável heresia, que inventou uma nova tradução em sua língua materna”. Em 1428, a igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift. John Wycliff foi o principal expoentede medidas reformadoras e, por isso, é chamado de: “Estrela d’Alva da Reforma”

João Huss - Um dos grande seguidores de Wycliff, foi João Huss. Nascido em 1369, em Husinec 975 kn de Praga) cursou o bacharelado e o mestrado em teologia e tornou-se famoso por divulgar as idéias de Wycliff e tornar-se reformador da Boémia. Em 6 de Julho de 1415, em Constança, no dia de seu aniversário, foi queimado vivo por ordem da Igreja Romana, estava completando 46 anos de idade. Antes de ser queimado, Huss disse as seguintes palavras ao carrasco: “Vocês hoje estão queimando um ganso (Huss significava ganso na lingua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar. Costuma-se identificar Martinho Lutero com esta profecia (que 102 anos depois pregou suas 95 teses em Wittenberg).

Jerônimo Savonarola - A vida do monge italiano Jerônimo Savonarola nascido no dia 21 de setembro (1452-1498), um dos precursores da Reforma do século XVI, abrangeu vários campos da atividade humana na cidade italiana de Florença. Em seus sermões atacou violentamente os crimes de Roma e pregava como um dos profetas hebreus. Savonarola terminou preso por ordem papal e foi condenado à morte. Em 25 de maio de 1498, foi enforcado e queimado na grande praça de Florença, aos 46 anos de idade, dezenove anos antes das 95 Teses de Lutero.

Vários outros clérigos passaram a difundir as idéias de Wycliff E Huss. Entretando, em virtude de nosso pouco espaço, apresento para este trabalho apenas esses três.

MOTIVOS QUE LEVARAM A REFORMA
No início do século XVI, a decadência moral do catolicismo romano era assustadora. Alexandre VI (1492-1503) ganhou sua eleição para o papado subordinando cardeais. Muitos o consideram mais corrupto dos papas da Renascença. Ele viveu em incesto público com suas duas irmãs e com a própria filha, Lucrecia, de quem se diz que teve um filho. Em 31 de outubro de 1501, promoveu uma orgia de sexo no Vaticano, que não teve igual em terrível horror nos anais da história humana.

Anos depois João de Médice, que assumiu o nome de Leão X, tornou-se papa de forma inusitada (1513-1521). Ele recebeu o chapéu do papa Inocêncio VIII, na idade de 13 anos – tratava-se de um acordo entre papa e o pai de João Médice, o poderoso governante de Florença. Aconteceu que o papa Inocêncio VIII tinha um filho natural que havia se casado com a irmã de João de Médice (Leão X). Mas tarde Leão X, deu o chapéu de papa a um neto de Inocêncio VIII, o qual era também sobrinho de Leão X – esta ação também fazia parte do acordo firmado anteriormente.

Leão X tornou-se um grande corrupto. A venda de indulgências predominou durante o seu papado. Tudo começou quando o arcebispo de Madnburgo reivindicou junto ao papado a acumulação das funções das dioceses de Mayence e Hlberstadt, na Alemanha. A confirmação dada pelo papa Leão X (da família dos banqueiros Médice de Florença), em agosto de 1514, custaria ao arcebispo, à soma de 14 mil ducados, acompanhada de uma concessão voluntária de mais 10 mil ducados.

A intermediação do negócio entre o arcebispo e o papa foi reservada ao grande banqueiro Jacob Fugger, o rico. Foi para pagar os adiantamentos de Fugger que o papa Leão X concedeu ao arcebispo permissão de vender indulgências ao preço entre 8 e 9ducados cada uma, nas condições do seu arcebispado.

A concessão, conforme determinou a bula papal de31 de março de 1515, se estenderia por oito anos, sendo que o arcebispo e o pontífice dividiriam entre si os proventos alcançados repassando-os ao credor Fugger. Sendo queLeão X, com o que lhe cabia, pensava em acelerar as obras do Vaticano, então em construção. Todavia, Maximiliano, o imperador do Sacro Império Romano-Germano, desde que fora informado do acordo, exigiu sua participação, reclamando para si, durante os três primeiros anos, 1/3 do que fosse recolhido entre os crentes temerosos das penas eternas.

John Tetzel, conhecido como homem de má conduta, mas que era habilidoso na arte de levantar fundos, foi indicado para vender as indulgências na Alemanha. Diante da cruz era colocado um grande cofre de ouro para receber o dinheiro e em seguida, o povo era induzido de várias maneiras, a comprar indulgências.

Tetzel levava consigo um quadro do diabo atormentando as almas no purgatório e repetia freqüentemente as palavras que apareciam na caixa de dinheiro: Sobald der pfennig im kasten klingt, kie seel aus dem Fegfeuer springt, que traduzido livremente significa, Assim que o dinheiro no cofre cai, alma atribulada do purgatório sai. Os ricos davam grandes doações, enquanto os pobres camponeses sacrificavam o que podiam a fim de ajudarem seus queridos no purgatório, ou para obter perdão de seus pecados.

Além disso, o alto clero, a começar pelo papa, explorava a crendice popular praticando a simonia, ou seja, o comércio de artigos religiosos. Entre os produtos comercializados encontravam-se tíbias do jumento montado por Jesus quando entrou em Jerusalém, pedaços do manto da virgem Maria, frascos contendo ar da gruta de Belém e uma série de outras relíquias falsificadas.

Obras consultadas:
OSLON. Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Editora Vida, 2001. p. 156.
FISCHER-WOLLPERT, Rudolf. Léxico de Papas. Petrópolis: Editora Vozes, 1991. p. 44.
MARK A. Knoll. Momentos Decisivos na História do Cristianismo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998
WOODROW, Ralph. Babilônia: a Religião dos Mistérios, Cap. 9, p. 70-71, Cap.12, p.101-102.
HUGHES, Philip. História da Igreja Católica. Asão Paulo: Dominus Editora S.A, 1962.
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD, 1995.

UNÇÃO COM ÓLEO

Leitura: Tg 5.14-18 O uso de óleo para unção do corpo era bastante utilizado no mundo antigo, com emprego na medicina, na cosmética e também num sentido simbólico e religioso. Vários tipos de unção.
A Bíblia menciona a unção com óleo com vários propósitos: a) Para cuidar do corpo ou cuidados da beleza (Rt 3.3; Et 2.12; 2 Cr 28.15; Jz 16.8; Ez 16.9; Mt 6.17). Era omitido em períodos de luto (2 Sm 14.2; 12.20) ou grande tristeza (Dn 10.2,3), pois significava alegria (Pv 27.9; Sl 45.7; Is 61.3), 
b) Com propósito medicinal (Is 1.6; Jr 51.8; Lc 10.34). Era muito comum o uso de óleo para inchaços e feridas de diversos tipos; machucados, cortados e qualquer tipo de ferimento. 
c) Era oferecido a um convidado de honra (Sl 23.5; Lc 7.38,46; Jo 11.2; 12.3), 
d) Também usado para honrar os mortos (Mc 16.1; Gn 50.2; 2 Cr 16.14) ou para preservar o corpo, 
e) A unção cerimonial. Esta é a unção formal de um Sacerdote (Ex 28.41), profeta (1 Rs 19.15,16) ou de um Rei (1 Sm 10.1; 16.3,12). A idéia desse tipo de unção é de separação e consagração, isto é, dedicação da pessoa a determinada tarefa. Derramado sobre a cabeça da pessoa, o óleo cobre o corpo. A idéia é de revestimento de poder e autoridade. O verbo grego correspondente ao hebraico nesse tipo de unção é “Chrio”, uma palavra cognata de Christós, que deu origem ao nome Cristo. Portanto, a palavra “Cristo”, significa: O Ungido, o Separado por Deus para um ministério especial,
f) Também era usado para consagração de objetos (Ex 30.22-33; 40.9), com o mesmo propósito de separação.

Qual o sentido de ungir os doentes, na orientação de Tiago? 
1. Poderia ser o uso do óleo como remédio, acompanhado de oração. Encontramos algumas recomendações para uso do remédio, na Bíblia, além da oração. Vinho também era usado como medicamento, tanto para uso tópico (Lc 10.34) como oral (1 Tm 5.23). Também eram usados emplastos (Is 38.21; 2 Rs 20.7) e sal para esfregar o corpo (Ez 16.4). O verbo “ungir” em Tiago 5.14,é “aleipho”, que quer dizer “friccionar, aplicar sobre, esfregar”. Para as doenças daquele tempo, havia um remédio muito comum: o óleo de oliva, que ainda hoje é muito rico em propriedades curativas. Tiago poderia estar sugerindo que fizessem oração, mas não deixassem também de usar de medicamentos que estivessem à disposição.
2. Tiago poderia estar sugerindo o uso do óleo meramente como sinal visível e tangível da manifestação do Espírito de Deus, pois é isto que ele simbolizava (1 Sm 16.13; Lc 4.18; At 10.38; 2 Co 1.21; 1 Jo 10.20), pois embora os antigos considerassem o azeite de oliveira dotado de propriedades medicinais, nunca se pensou entre eles que o azeite fosse capaz de curar toda e qualquer enfermidade. Jesus usou lodo para curar um cego de nascença (Jo 9.6) - A Mishnah menciona essa prática da aplicação de lodo, preparada com argila e saliva, a olhos enfermos – apenas como um sinal tangível e não como remédio, pois a cura foi instantânea. Tiago certamente sabia que o azeite não curava todas as doenças, mas recomendou o seu uso para todos os doentes.
3. A doença poderia ser o resultado de desobediência, pecado, na vida do crente (1 Co 11.30), pois Tiago fala de confissão e perdão de pecados neste contexto. O pecado afeta não somente a saúde espiritual, mas também física (Sl 32). Poderíamos pensar que no AT o líder religioso cumpria o papel de tratar as doenças (Lv 13.2,3; Mt 8.4) e que Tiago estaria transportando este conceito para a igreja, Mas se havia pecados que resultaram na doença, os presbíteros seriam os representantes da igreja, que recebeu autoridade do Senhor para perdoar pecados (Jo 20.23). Por estar enfermo, o crente não poderia ir à igreja, de modo que chamaria os anciãos. O azeite seria um sinal do Espírito Santo, que purifica o crente (Tt 3.5; 1 Co 6.11).

Algumas observações adicionais: Tiago não apresenta uma fórmula genérica para curar a todos, pois a cura, como resposta à oração, depende da vontade de Deus (1 Jo 5.14). Deus às vezes permite a doença (Jo 11.37; Gl 4.13,14; 1 Tm 5.23; 2Tm 4.20). Noutros casos, Deus resolve levar seus amados santos ao céu, durante uma enfermidade (2 Rs 13.14,20). De uma maneira geral, podemos dizer que Deus quer curar as enfermidades, mas em casos específicos, vemos que alguns não foram curados (Jo 5.3-9; Fp 2.25-27; 2 Tm 4.20; 1 Tm 5.23).
Jesus nunca mandou ungir enfermos com óleo, mas é certo que, pelo menos uma vez, (Mc 6.13) se tem notícia de que os apóstolos ungiam enfermos com óleo e os curavam. Evidentemente, eles o faziam dentro dos costumes correntes entre os judeus, que eram do conhecimento de Jesus, pois Ele mesmo se refere a unção como ato de dignidade para um visitante e também no sepultamento de um morto.
A verdadeira ênfase no texto bíblico de Tiago, capítulo 5 não é sobre o óleo, mas sobre a oração, citada várias vezes. É a oração da fé que salva o doente e não a unção com azeite. Jesus orientou seus discípulos a orarem com fé (Mt 21.22; Mc 11.24) para receber dádivas de Deus. A fé foi destacada pelo Senhor na cura dos enfermos (Mc 16.17,18). Pela oração também os pecados são perdoados (1 Jo 5.14-16).
O óleo não é usado para outros fins, como atrair prosperidade (ungindo-se carteiras ou bolsas), “espantar” demônios (ungindo-se portas e janelas, roupas, etc), nem para abençoar um ambiente. Não devemos atribuir qualidades místicas ao azeite, seja aquele do tipo comum, vendido no supermercado ou qualquer outro com características aromáticas, como bálsamo ou mirra. Este tipo de coisa revela-se apenas em superstição e dá oportunidade de alguém aproveitar-se da fé ingênua de alguns crentes. Não vivemos mais na era da Lei, carregada de símbolos, mas na era da graça, quando Cristo e o Espírito Santo estão presentes de forma real e permanente na vida do crente.
Existem algumas passagens bíblicas difíceis de entender e que são muitas vezes usadas para apoiar doutrinas distorcidas. Uma destas, sem dúvida, é esta em que Tiago recomenda o uso de óleo nos enfermos. Um dos desvios de interpretação de unção é o sacramento da extrema unção, usado pela Igreja Católica Romana, ministrado às pessoas que estão para morrer. Esta unção não foi recomendada àqueles que estão morrendo, mas ao que estão doentes e querem ser curados. A idéia é de restabelecimento e não preparação para a morte.

Obras consultadas: COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.
DUFFIELD, Guy P., VAN CLEAVE, Nathaniel M. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Quadrangular, 2000.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Santo André: Geográfica, 2008.